A dislexia é uma dificuldade de aprendizagem específica, de origem neurológica, um conjunto de transtornos, nos quais os padrões normais de aquisição de competências se encontram comprometidos desde os estádios iniciais de desenvolvimento. Os indivíduos com dislexia apresentam dificuldades na correção, na fluência e na leitura de palavras, tem baixa competência na leitura e na ortografia.

A dislexia é detetada, habitualmente, em idade escolar, mas acompanha os indivíduos ao longo da sua vida.

Estima-se que aproximadamente 30 a 40%, dos irmãos de crianças disléxicas apresentam de uma forma mais ou menos grave a mesma perturbação. Uma criança cujo pai seja disléxico apresenta uma tendência superior à da população em geral, de adquirir essa patologia. O género masculino tende a apresentar uma maior superioridade comparativamente com o género feminino. Em Portugal 1 em cada 25 crianças, sofre de dislexia.

Os grupos de risco são crianças com baixa alfabetização, com atrasos simples de aquisição da linguagem, com transtornos da linguagem, crianças desatentas, com deficiência mental ou com autismo.

Sinais e Sintomas da Dislexia


Os sinais de alerta da dislexia podem ser divididos em duas etapas, durante a infância e na idade escolar.

Durante a infância, podem-se verificar atrasos no desenvolvimento da linguagem, no início do dizer das primeiras palavras, no começa da construção frásica mais tarde do que o habitual, atraso no desenvolvimento da linguagem, dificuldade em se aperceber que os sons das palavras podem dividir-se em bocados mais pequenos e em manipular esses mesmos sons.

Aquando em idade escolar, as crianças começam a sentir dificuldade em compreender que as palavras se podem segmentar em sílabas e fonemas, a escrita surge com muitos erros ortográficos, com trocas fonológicas e/ou lexicais e distrai-se com bastante facilidade perante qualquer estímulo, parecendo que está a “sonhar acordado”. A criança tem curtos períodos de atenção.

Formas de Diagnóstico da Dislexia

O diagnóstico pode ser feito segundo alguns critérios, tais como a avaliação do rendimento na leitura/escrita, através de provas normalizadas. A perturbação interfere significativamente com o rendimento escolar, ou outras atividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura/escrita. Caso exista um défice sensorial, as dificuldades são excessivas em relação às que lhe estariam habitualmente associadas.

Evolução, complicações e prognóstico da doença

Associada a esta dificuldade pode surgir ainda algumas complicações, como atrasos no desenvolvimento motor e na aquisição da fala, dificuldades para entender o que ouve, distúrbios do sono, enurese nocturna e suscetibilidade às alergias e às infecções.

A detecção precoce das dificuldades de linguagem é geralmente um bom prognóstico para a eficácia do tratamento e felizmente já é possível identificar dificuldades de aprendizagem, nos anos pré-escolares, detetar crianças com défices fonológicos e planear intervenções precoces. Quanto mais precoce for detetada a perturbação, mais cedo, ela pode ser combatida.

Tratamento da Dislexia


A dislexia não tem uma forma de tratamento universal, nem um tratamento medicamentoso, os medicamentos podem ser indicados para tratar co morbilidades associadas. O tratamento deve incidir em factores que favoreçam e promovam a plasticidade cerebral e os caminhos cerebrais alternativos para o processamento da leitura. Algumas crianças aprendem a ler mais facilmente amparadas pela fonética, outras aprendem melhor através de técnicas linguísticas, em que as formas visuais complexas das palavras são aprendidas em contexto.

Devem ser utilizados jogos infantis programados para diminuir o ritmo da fala e prolongar a duração dos sons, tornando mais fácil a compreensão dos fonemas, a terapia fona audiológica em cabine também é um importante recurso para a reabilitação do disléxico com alteração do processamento auditivo, ditados, cópias, completar palavras e leitura de textos.

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